O dia 08 de setembro de 2007 vai ficar para sempre na minha lembrança. Foi o dia em que me senti jogador de futebol profissional. Jogar num estádio lotado pelas duas maiores torcidas do estado, defendendo as cores do meu time de coração, ah! Isso é inesquecível. Claro que aquelas mais de 40 mil pessoas não estavam ali para assistir a mim e a aquele bando de jogadores esforçados e sem muito vigor. Estavam ali claro, para conferir Fortaleza e Ceará, mas isso pouco me importa, o que realmente interessa é que estavam ali e torciam verdadeiramente por mim e meus companheiros em campo.
Quem quando criança, nunca sonhou em ser jogador de futebol profissional? Jogar com arquibancadas cheias e num grande estádio... Comigo não era diferente, também tinha a vontade de ser atleta profissional, mas como muito tantos outros fiquei pelo meio do caminho.
Nessa tarde de sábado tive meu sonho concretizado. Estava em campo em prol de uma causa importantíssima:celebrar a paz entre as torcidas de Fortaleza e Ceará. Ao meu lado, outros torcedores do Fortaleza e como adversários torcedores do Ceará, todos unidos para promover e celebrar a disputa saudável e o respeito com o outro, mesmo sabendo que o grande objetivo do jogo era a promoção de uma coisa maior, ninguém queria perder, pois estávamos representado as cores do nosso clube. As semanas anteriores ao grande dia foram de muita ansiedade para todos, que como eu, também iria realizar um grande sonho. Havia fofocas e provocações como em qualquer clássico, os racheiros do Ceará se consideravam favoritos, tinha um retrospecto melhor, eram mais entrosados e escolheram os melhores jogadores que eles possuíam, recrutando inclusive alguns especialmente para essa partida; enquanto que nós, racheiros tricolores, tínhamos certa desconfiança entre nos mesmos, o time não se conhecia direito, vínhamos de resultados anteriores adversos, mas mesmo assim optamos por manter os jogadores que desde do inicio se comprometeram com o projeto, sendo esse o critério principal para escalação para o jogo final.
No dia parecíamos todos deslumbrados com aquilo tudo, entrando no maior estádio do estado em direção aos vestiários, vivendo os bastidores que antecede a um grande clássico, imprensa e dirigentes, todo mundo ali se preparando para o grande duelo local. Chegando ao vestiário, muita tensão, aquecimento, grito de guerra e fomos para o jogo!!!
O início de jogo não foi lá muito emocionante, o estádio ainda não estava cheio, quase vazio na verdade, pessoalmente não senti nervosismo algum, o time inteiro jogava muito bem, o peso do favoritismo devia está pesando aos novos adversários, tanto que em poucos minutos cometeram um pênalti e tiveram um jogador expulso. Partimos em vantagem e levamos o jogo numa boa, mesmo sofrendo o gol de empate e algum sufoco, o time soube se portar bem.
Começa o segundo tempo, o estádio já estava praticamente tomado pelas torcidas, lembro que antes da bola rolar, estava aquecendo no campo e fiquei parado olhando para as arquibancadas, nessa hora começou a cair à ficha! O segundo tempo foi mais nervoso que o primeiro, o estádio lotado, a vibração das torcidas, contagiou os dois times, o jogo se tornou uma verdadeira correria de ambas as partes, a cada jogada uma reação vinha das arquibancadas. Na metade do segundo tempo, já não tinha mais força para suporta aquele ritmo frenético, preferir sair e ceder meu lugar a um companheiro mais descansado. Acompanhei de fora, os dois outros lindos gols que fizemos e o pênalti perdido por nosso companheiro, mas já não fazia falta esse gol, já estava tudo dominado! Era só esperar o apito final do juiz e comemorar a vitória.
Comemoramos junto com a nossa torcida, foi sensacional aquele momento, receber os aplausos de agradecimento e reconhecimento pelo esforço demonstrado em campo.
Na descida para o vestiário, num verdadeiro estado de êxtase, seguimos todos juntos cantando o hino tricolor. Sabemos mais tarde, que aquela nossa alegria e demonstração de afeto ao clube ecoou dentro dos corredores do Castelão até chegar ao vestiário onde o time profissional do Fortaleza se concentrava, aquilo contagiou os atletas, que não fizeram feio e deixaram aquele dia que já era inesquecível, perfeito, com a vitória do Fortaleza sobre o Ceará. No fim da partida o que se ouvia era: o Fortaleza fez barba, cabelo e bigode hoje!
IMAGEM DA SEMANA
Beppe Grilo, humorista italiano fez do dia 8 de setembro passado, um dia de protesto onde italianos de todas a regiões do pais, revoltados com a corrupção política ,reuniram -se para para manifestar sua indignação com muito humor. Na ocasião, Grilo propôs um projeto denominado "Limpe o parlamento", onde entre outras reivindicações pede que políticos condenados não possa se reeleitos. Para quem não sabe a palavra Vaffanculo pode ser traduzida como "fuck you" e bem que poderiamos extender para o Brasil essa campanha.
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